IGREJA EVANGÉLICA & COLÉGIO MAUÁ: COMEÇO EM CONJUNTO
As histórias dessas duas entidades, muito representativas em Santa Cruz do Sul, tiveram um início conjunto. No século XIX, época do Império, a união dessas duas ideias deu tão certo que, nos dias de hoje, sua importância é fundamental para a comunidade santa-cruzense. Para facilitar o acompanhamento, faremos um estudo cronológico dos acontecimentos.
1866: Foi realizado o primeiro culto, pelo Pastor Hermann Jacob Bergfried, em prédio na esquina das ruas Borges de Medeiros com a Tte. Cel. Brito. A denominação era Deutsche Evangelische Gemeinde, ou Comunidade Evangélica Alemã.
1868: O Pastor Bergfried abriu as portas de sua casa para lecionar aos filhos de alemães residentes na localidade, criando a “Pfarrschule”, ou Escola do Pastor.
1870, julho: A escola, devido ao aumento do número de alunos, passou a funcionar em duas salas, em prédio alugado, na esquina das ruas 28 de Setembro e Mal. Floriano, sempre com a supervisão do P. Bergfried. Devido ao aumento da demanda e a necessidade de contratar professores e arcar com despesas, foi criada por lideranças locais a Sociedade Escolar Schulgemeinde, até hoje a sociedade mantenedora do Colégio Mauá, com o nome atual de Sociedade Escolar Santa Cruz.
1871: O Pastor Bergfried retornou à Alemanha, sendo substituído pelo também alemão, Pastor Heinrich Eduard Falk. Com sua chegada, vieram ideias mais conservadoras que provocaram atritos com as lideranças locais e, por consequência, com a entidade mantenedora da emergente escola. Ele fazia questão de selecionar quais alunos poderiam ou não se matricular. Essa prática não inclusiva não condizia com as diretrizes dos dirigentes da mantenedora e nem com membros influentes da Igreja Evangélica que davam apoio à escola.
1872: Insatisfeitos, os mantenedores da escola, pessoas influentes na época em Santa Cruz do Sul, entendendo ser importante atender todos alunos, indistintamente, retiraram-se da comunidade Evangélica original, deixando de frequentar os cultos. Construíram então um prédio em terreno próprio, onde hoje se localiza a livraria Iluminura, para atender uma nova comunidade: a Deutsch Protestantische Gemeinde, ou Comunidade Protestante Alemã. O mesmo local servia de sala de escola durante a semana e templo de cultos. Estes eram proferidos por Pastores itinerantes, vindos de São Leopoldo: P. Borchhardt e P. Kohlmann.
Eram tempos do Império onde a religião oficial era a Católica e não eram permitidos cultos de outras religiões a não ser em prédios sem aparência de templo. Assim sendo, as lideranças evangélicas precisaram obter uma licença especial para a construção da torre que foi erguida junto ao novo prédio graças à sua influência junto às autoridades locais.
Passaram então a existir duas comunidades evangélicas na cidade, distantes apenas 100 metros uma da outra. Esse episódio foi publicado no Jornal Gazeta do Sul em 14.06.21.
1873: A escola da nova comunidade contratou o Professor alemão, Robert Jaeger, para ministrar aulas e dar ainda mais qualidade ao ensino da então emergente Deutsche Schule e que viria a tornar-se o Colégio Mauá dos dias de hoje.
1877: Com a transferência do P. Falk para Ferraz e a chegada do P. Friedrich Hildebrand de ideias menos conservadoras, a Igreja Evangélica foi novamente unificada e a Escola Alemã (Deutsche Schule) continuou a atender todos alunos que a procuravam como foi desde seu início em 1868.
Colaboração: Nestor Raschen, diretor do Colégio Mauá